Outra Paixão

Noite passada sonhei que estava escrevendo um post. Certamente porque andava pensando que já estava na hora que postar algo novo e dentre as mil e uma coisas das quais quero escrever, “pulou” uma.  Aliás, não sei como nunca havia falado nisso por aqui… Porque é uma da-que-las paixões que a gente tem na vida… Vou falar do meu amor por Salvador e pelo carnaval de lá!

No meu sonho o post começava assim:

“Ah, imagina só
Que loucura é essa mistura
Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia
De todos os santos, encantos e axé
Sagrado e profano, o baiano é carnaval…”

Sim, com o trecho da música “Chame Gente” de Armandinho Macêdo e Moraes Moreira. Pra quem gosta de carnaval, essa música é um hino! E realmente passa muito do espírito que tem essa festa maravilhosa, que vai muito além do beija-beija da Band e das dancinhas que dão audiência aos programas de auditório no verão.

Em dez carnavais passados em Salvador, foram dois anos solteira, no melhor estilo Band Folia, e oito namorando ou casada com o Cirão. Quem, aliás, eu conheci correndo atrás dos trios nas micaretas Brasil afora.  Foram nove anos seguidos, no carnaval após o nascimento do Marinho, não fomos. Fomos no ano seguinte. Ano passado, como eu estava grávida, não fomos. Esse ano… Ah! Ainda falta um mês. Quem sabe?

Nas primeiras três vezes que estive em Salvador, os carnavais foram muito legais, mas sempre chegando muito em cima do carnaval e partindo logo depois, tudo era muito rápido, intenso. Já ia com tudo arquitetado de São Paulo e chegando lá seguia o planejado. Na quarta vez , em 2001, que consegui chegar dias antes, ir a um ensaio do Olodum no Pelourinho, Grito com Ricardo Chaves e Timbalada no Candeal, ir além da dobradinha Asa/Chiclete e sair em blocos com Timbalada, Ricardo Chaves, Daniela Mercury e na Fobica de Dodo e Osmar, puxada pelos filhos de Osmar: Armandinho, Aroldo, Betinho e André Macedo. Nos anos que seguiram, fomos saindo cada vez mais do binômio Asa e Chiclete, e além dos já citados, saímos em blocos de Ricardo Chaves, banda EVA e Ivete Sangalo. Qual o melhor? O pior? Estou falando em paixão, daí, a última é sempre a maior, a mais intensa e a mais arrebatadora… No nosso caso, Timbalada. Mas, devo dizer que é aquela paixão que como diz a música da própria Timbalada “Quando percebi, outro alguém já existia”. Ou seja, foi tomando espaço e quando percebemos, já havíamos virado Timbaloukos!

No primeiro ano fiquei em um hotelzinho, super simples, mas com conforto. Foi legal, mas no ano seguinte fomos para um apartamento. Apartamento?!?! Apertamento! Doze pessoas em um apartamento de dois quartos! Levamos o calote em um maior e acabamos no que conseguimos. Acreditem, foi legal! Nos outros anos, sempre apartamentos, e desse tipo de hospedagem vieram muitas amizades, muitos amigos de outras praias caíram de pára-quedas. O hotel tem seu conforto, sua privacidade, mas as reuniões pela manhã de resenha do dia anterior são impagáveis e concorrem bravamente ao melhor momento do carnaval. E rendem estreitamentos de amizade que mudam nossos relacionamentos.

Teve uma vez que passamos quarenta e cinco dias nas terras soteropolitanas, alugamos um apê e ficamos sócios de um clube. Nadávamos todos os dias na Associação Atlética da Bahia, tomávamos um banho de mar no Porto da Barra, caminhávamos na orla da Barra tendo como vista o Farol da Barra e o Cristo, teve domingo com Ba-Vi, festa de aniversário na Barraca de Jajá… Na terça de carnaval, encostei-me num balcão de farmácia e pedi um remédio para dormir ao balconista. Com a costumeira gentileza do baiano, ele me perguntou “Por que, filha?” Expliquei que a angústia de ir embora de Salvador me fizera perder o sono. Em sua simplicidade, me disse “Então fique!”. Infelizmente, já não tinha dado, no meio da leseira descrita acima, procuramos empregos, mas não aconteceu. Voltamos.

Depois disso voltamos em vários carnavais. Na hora de voltar pra casa… A angústia e a insônia atacam! Daí, termino com a letra da música de Ricardo Chaves “Amor de Carnaval”:

“Essa onda de felicidade
Invadiu meu coração
Nunca mais dessa cidade eu saio
Eu não saio não
Foi tudo inesperado
Pensei só na diversão
Eu que já sou vacinado
Dancei pro meu coração

Eu vou me perder
Ninguém vai me achar
Eu vou esquecer quem sou
Eu vou derreter, vou entornar
Neste samba rock’n roll

Nasci pra te amar e não pra chorar
De tanta saudade amor
Não quero partir, não posso ficar
Então me diga onde eu vou

Me amarre aqui por favor
Me prenda pra eu não voltar
Amor, amor meu, meu amor
Me tranque pra eu não escapar
Me amarre aqui por favor
Me prenda pra eu não voltar
Amor, amor, meu amor
Me tranque pra eu não escapar…”

Salvador é uma das minhas grandes paixões, até o carnaval, vou escrever mais.

Uma resposta para Outra Paixão

  1. Gabriel Revuelta

    Sensacional!!!!

    Muito bom o texto!!!!

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